Quem ama também precisa aprender a partir.
Existe uma ideia persistente de que amar significa permanecer. Permanecer apesar das dificuldades, insistir quando a relação já não encontra reciprocidade, suportar o desgaste em nome da história construída e interpretar a separação como prova de que o amor não foi suficientemente forte. Essa concepção transforma a permanência em medida do afeto e, muitas vezes, faz com que pessoas permaneçam em relações que já não produzem encontro, cuidado ou crescimento. Amar, porém, não significa necessariamente ficar. Há momentos em que permanecer pode representar justamente o contrário do amor: medo de perder, dependência, culpa, apego àquilo que já existiu ou dificuldade de imaginar a própria vida fora daquela relação. A capacidade de partir não diminui a importância de um vínculo. Em determinadas circunstâncias, ela revela que o sujeito conseguiu reconhecer os limites de uma história sem precisar transformar o outro em inimigo ou a própria trajetória em fracasso. A Psicanálise compreende ...