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Quem ama também precisa aprender a partir.

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  Existe uma ideia persistente de que amar significa permanecer. Permanecer apesar das dificuldades, insistir quando a relação já não encontra reciprocidade, suportar o desgaste em nome da história construída e interpretar a separação como prova de que o amor não foi suficientemente forte. Essa concepção transforma a permanência em medida do afeto e, muitas vezes, faz com que pessoas permaneçam em relações que já não produzem encontro, cuidado ou crescimento. Amar, porém, não significa necessariamente ficar. Há momentos em que permanecer pode representar justamente o contrário do amor: medo de perder, dependência, culpa, apego àquilo que já existiu ou dificuldade de imaginar a própria vida fora daquela relação. A capacidade de partir não diminui a importância de um vínculo. Em determinadas circunstâncias, ela revela que o sujeito conseguiu reconhecer os limites de uma história sem precisar transformar o outro em inimigo ou a própria trajetória em fracasso. A Psicanálise compreende ...

Exú e os encontros que transformam a vida

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Há encontros que parecem acontecer por acaso, mas que deixam marcas muito maiores do que poderíamos imaginar no momento em que acontecem. Uma conversa breve, uma amizade inesperada, uma relação amorosa, um professor, um cliente, uma pessoa que aparece em uma determinada fase da vida e, de algum modo, desloca aquilo que parecia estabelecido. Depois daquele encontro, alguma coisa muda. Nem sempre conseguimos identificar imediatamente o que foi transformado, mas percebemos, com o tempo, que já não somos exatamente os mesmos. Pensar Exú a partir dos encontros significa deslocar sua imagem de uma representação simplificada, muitas vezes construída pelo imaginário religioso ocidental, para compreendê-lo dentro da riqueza das tradições afro-brasileiras. Exú está relacionado aos caminhos, à comunicação, à circulação, às trocas e às encruzilhadas. Ele pertence ao território do movimento. Onde existe encontro, passagem, negociação, palavra e possibilidade, existe uma dimensão de Exú que pode ser...

Amar é encontrar o outro ou reencontrar a si mesmo?

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  Há uma imagem recorrente sobre o amor que talvez diga mais sobre nossas expectativas do que sobre a própria experiência amorosa: a ideia de que, em algum lugar do mundo, existe alguém capaz de nos completar. O encontro amoroso seria então uma espécie de chegada. Encontramos alguém, somos reconhecidos, desejados, escolhidos e, finalmente, sentimos que uma parte que nos faltava encontrou seu lugar. A força dessa fantasia ajuda a explicar por que tantas pessoas esperam do amor aquilo que nenhuma relação humana consegue oferecer por completo: a promessa de que nunca mais estaremos sozinhos. A experiência amorosa, porém, parece operar de maneira mais complexa. Encontrar alguém frequentemente significa encontrar também partes de nós mesmos que permaneciam desconhecidas. O outro nos devolve imagens, provoca desejos, desperta inseguranças, revela limites e produz perguntas que talvez nunca tivéssemos formulado sozinhos. Amar não é apenas descobrir quem está diante de nós. É também descob...

O medo de ser abandonado nasce onde? Psicanálise do Axé sobre vínculo, memória e pertencimento

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Poucos medos são tão silenciosos quanto o medo de ser abandonado. Ele pode aparecer quando alguém demora a responder uma mensagem, quando o parceiro demonstra uma mudança de comportamento, quando um relacionamento atravessa uma crise ou até mesmo quando tudo parece estar bem. Para algumas pessoas, a possibilidade de perder o outro está sempre presente, como uma ameaça que não precisa acontecer para produzir sofrimento. O sujeito antecipa a ausência e, muitas vezes, começa a sofrer antes que exista qualquer sinal concreto de abandono. Esse medo costuma ser confundido com excesso de amor. Quem teme perder alguém pode tornar-se excessivamente disponível, procurar sinais de afastamento, exigir garantias constantes ou tentar controlar a relação. Por trás dessas atitudes existe frequentemente uma pergunta mais profunda: "Se essa pessoa for embora, o que acontecerá comigo?". A questão não diz respeito somente à perda do outro. Ela toca a maneira como o sujeito aprendeu a experimenta...

O amor acaba ou muda de forma? Uma leitura da Psicanálise do Axé sobre desejo, vínculo e transformação

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  Existe uma pergunta que costuma aparecer quando uma relação termina: o amor acabou? A pergunta parece simples, mas carrega uma ideia bastante rígida sobre o próprio amor. Como se amar significasse manter intacta uma determinada intensidade, uma forma específica de convivência e uma promessa de permanência. Quando essas condições desaparecem, concluímos que o sentimento também desapareceu. Talvez a experiência amorosa seja mais complexa. Talvez alguns amores não terminem exatamente; talvez mudem de forma. A dificuldade está em aceitar que o amor não permanece necessariamente igual a si mesmo. O desejo muda, a convivência muda, o corpo muda, as prioridades mudam e as pessoas que se encontraram em determinado momento também se transformam. Uma relação pode começar marcada pela paixão, adquirir posteriormente características de companheirismo e, em outro momento, tornar-se uma memória afetiva importante. Em alguns casos, o vínculo continua sob outra forma. Em outros, a separação torn...

Por que nunca esquecemos o primeiro amor?

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Poucas lembranças permanecem tão vivas quanto a do primeiro amor. Anos podem passar. Novos relacionamentos surgem, a vida segue outros caminhos, os projetos mudam e até o rosto daquela pessoa começa a perder nitidez. Ainda assim, basta uma música, um perfume, uma fotografia antiga ou o nome pronunciado por acaso para que algo desperte no interior de quem viveu aquela experiência. A pergunta, então, surge quase inevitavelmente: por que o primeiro amor parece ocupar um lugar que nenhum outro consegue substituir? A resposta não está, necessariamente, na intensidade da relação. Muitos primeiros amores duram poucos meses. Alguns sequer chegam a transformar-se em namoro. Outros terminam antes mesmo de se consolidarem. O que permanece não é apenas a pessoa, mas aquilo que ela representou em determinado momento da vida. O primeiro amor costuma ser o primeiro encontro consciente com o desejo, com a expectativa de ser escolhido, com a descoberta da intimidade e com a experiência de imaginar um f...

Você tem medo de vender ou medo de ser rejeitado?

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 Poucas situações despertam tanta ansiedade quanto apresentar ao mundo algo que produzimos. Seja um produto, um serviço, uma ideia, um livro ou um projeto, sempre existe um instante em que aquilo que estava sob nosso controle passa a depender da resposta do outro. É exatamente nesse momento que muitas pessoas acreditam estar enfrentando o medo de vender. Entretanto, a pergunta talvez devesse ser outra: o que realmente nos assusta é a venda ou a possibilidade de sermos rejeitados? A diferença parece pequena, mas modifica completamente a compreensão do problema. Quem tem medo da venda procura aprender técnicas de negociação, marketing e persuasão. Quem teme a rejeição precisa compreender por que o olhar do outro possui tamanho poder sobre sua própria identidade. As duas questões pertencem a campos diferentes. Uma diz respeito ao mercado; a outra, à constituição do sujeito. Desde muito cedo aprendemos que ser aceito é uma condição para pertencer. A criança depende do reconhecimento de...