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Mostrando postagens de julho, 2026

Por que repetimos os mesmos erros? A Psicanálise do Axé e os caminhos invisíveis da repetição

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Há pessoas que encerram um relacionamento e, algum tempo depois, percebem que estão vivendo exatamente a mesma história com alguém diferente. Outras mudam de emprego, mas continuam enfrentando conflitos semelhantes. Existem empreendedores que trabalham intensamente, estudam, investem, fazem cursos e, ainda assim, parecem esbarrar sempre no mesmo obstáculo. A sensação é de que a vida muda de cenário, mas o roteiro permanece inalterado. A pergunta, então, deixa de ser apenas psicológica e torna-se existencial: por que repetimos os mesmos erros? A Psicanálise do Axé propõe que a repetição raramente é um simples acaso. Ela representa um movimento simbólico que atravessa a história de cada sujeito, articulando experiências pessoais, memórias familiares, marcas sociais e heranças ancestrais. Aquilo que se repete nem sempre revela uma falta de inteligência ou de vontade. Muitas vezes, expressa conteúdos que ainda não encontraram uma forma consciente de elaboração. Freud observou que o ser hum...

Psicanálise do Axé e Cultura onde a identidade aprende a existir

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                                            Episódio 4 Psicanálise com Axé Carla Arailda  Quando pensamos em cultura, é comum lembrar de música, dança, literatura, culinária ou festas populares. Tudo isso faz parte dela, mas a cultura começa muito antes. Ela está presente na forma como cumprimentamos alguém, educamos nossos filhos, lidamos com o luto, celebramos conquistas e explicamos aquilo que não conseguimos compreender. Em outras palavras, a cultura não é apenas aquilo que produzimos; ela também produz quem somos. A Psicanálise do Axé parte dessa compreensão. O ser humano não nasce com uma identidade pronta. Desde os primeiros dias de vida, aprende a interpretar o mundo por meio das palavras que escuta, dos gestos que observa, das histórias que lhe são contadas e das relações que estabelece. Cada experiência deixa marcas que, pouco a pouco, constroem sua maneira de sen...

Psicanálise do Axé a ancestralidade vivida, interpretada pelo conhecimento acadêmico

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  Muitas teorias nascem dentro das universidades e, somente depois, alcançam a sociedade. A Psicanálise do Axé percorre um caminho diferente. Ela não começou em uma sala de aula, nem surgiu da elaboração de um grupo de pesquisadores reunidos em um laboratório. Seu ponto de partida encontra-se na vida vivida, na escuta das pessoas, nas experiências dos terreiros, nas histórias transmitidas entre gerações e na sabedoria preservada pelas tradições de matriz africana. Isso não significa rejeitar a academia. Pelo contrário. A Psicanálise do Axé reconhece o valor da pesquisa científica, da reflexão filosófica, da produção intelectual e do rigor metodológico. O que ela propõe é uma inversão de percurso: primeiro vem a experiência; depois, a interpretação sistematizada por meio das ferramentas oferecidas pelas Ciências Humanas, pela Psicanálise, pela Sociologia, pela Antropologia, pela Filosofia e pela História. Durante muito tempo, os conhecimentos produzidos fora da universidade foram tr...

Psicanálise do Axé e a vida cotidiana

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  Quando ouvimos a palavra "psicanálise", muita gente imagina imediatamente um consultório, um divã e longas conversas sobre a infância. Ao ouvir a palavra "Axé", outras pessoas pensam apenas nas religiões de matriz africana. A Psicanálise do Axé nasce justamente para ampliar essas duas imagens. Ela propõe um modo de compreender a vida em que a escuta da subjetividade encontra a sabedoria da ancestralidade. Mas o que isso significa para quem acorda cedo para trabalhar, enfrenta trânsito, paga contas, cria filhos, estuda ou tenta encontrar equilíbrio em meio às pressões do dia a dia? A resposta talvez seja mais simples do que parece. A vida cotidiana é feita de escolhas, encontros, perdas, conflitos, alegrias e recomeços. Nem sempre percebemos, mas cada uma dessas experiências deixa marcas na maneira como pensamos, sentimos e nos relacionamos com os outros. Algumas fortalecem nossa confiança. Outras produzem insegurança, medo ou a sensação de que estamos repetindo se...

Como a Psicanálise do Axé compreende as religiões de matriz africana?

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  Quem se aproxima pela primeira vez da Psicanálise do Axé costuma fazer a mesma pergunta: afinal, trata-se de uma religião ou de uma forma de compreender as religiões de matriz africana? A resposta começa por uma distinção simples. A Psicanálise do Axé não é uma religião. Ela também não pretende modificar os fundamentos da Umbanda, do Candomblé, da Jurema Sagrada ou de outras tradições afro-brasileiras. Seu propósito é diferente: compreender como os símbolos, os rituais, as narrativas e as experiências vividas nesses espaços dialogam com a construção da subjetividade humana. Imagine uma pessoa observando um jardim. Um botânico identifica as espécies, estuda o solo e explica o crescimento das plantas. Um paisagista analisa a harmonia entre as cores e as formas. Já um poeta contempla o mesmo jardim procurando sentidos para a existência. Nenhum deles está errado. Apenas observam a mesma realidade por perspectivas diferentes. A Psicanálise do Axé faz algo semelhante. Ela olha para as ...

Psicanálise do Axé: uma conversa entre a alma e a ancestralidade

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  Imagine que sua vida seja uma casa. Todos os dias você abre portas, fecha janelas, organiza alguns cômodos e, sem perceber, vai empurrando certas coisas para um quartinho onde quase nunca entra. Ali ficam medos antigos, lembranças difíceis, sonhos abandonados, culpas, saudades e perguntas que nunca encontraram resposta. Agora imagine que alguém lhe entregue uma lanterna. Essa lanterna não serve para julgar o que está guardado naquele quarto, mas para iluminar cada objeto com calma. Você percebe que muitas daquelas coisas continuam influenciando sua vida, mesmo escondidas. A Psicanálise faz algo parecido: ajuda a iluminar aquilo que permanece dentro de nós sem que percebamos. A Psicanálise do Axé caminha na mesma direção, mas leva outra luz para esse encontro. Além da história pessoal, ela convida a olhar para aquilo que recebemos dos nossos ancestrais, da nossa comunidade, da cultura e das tradições afro-brasileiras. Afinal, ninguém nasce do nada. Antes mesmo do primeiro choro, j...

Exú Bará e a Psicanálise do Axé: o guardião dos caminhos da subjetividade

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  Poucas entidades das tradições afro-brasileiras sofreram tantas distorções quanto Exú Bará. Durante séculos, discursos religiosos, políticos e culturais produziram uma imagem marcada pelo medo, pela demonização e pelo desconhecimento. A consequência foi a construção de um imaginário que afastou milhares de pessoas da compreensão de um dos princípios mais importantes da cosmologia afro-brasileira: o movimento da vida. A Psicanálise do Axé propõe outra leitura. Em vez de perguntar quem é Exú Bará a partir dos preconceitos históricos, convida a investigar o que sua presença revela sobre o funcionamento da subjetividade humana. Bará representa a abertura dos caminhos, mas não como uma promessa de facilidades. Caminhos existem para serem percorridos. Abrir uma estrada não elimina os desafios, apenas torna possível a travessia. Sob essa perspectiva, Exú Bará simboliza a potência da escolha, da iniciativa e da responsabilidade diante do próprio destino. Cada decisão inaugura uma nova en...

Por que tantas pessoas procuram entender Exu e Pombagira? A resposta talvez esteja na forma como buscamos compreender a nós mesmos

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  Quem observa apenas os números pode imaginar que Exu e Pombagira despertam curiosidade apenas pelo aspecto religioso. A internet mostra outro cenário. Milhares de pessoas pesquisam diariamente esses nomes porque procuram respostas para questões que atravessam a existência humana: escolhas, afetos, perdas, prosperidade, conflitos, desejo e transformação. Essa busca não começa no terreiro. Ela nasce quando alguém percebe que precisa compreender melhor a própria vida. Não é por acaso que páginas dedicadas a essas entidades estão entre as mais acessadas da CERE Publicações. O interesse revela um movimento mais profundo: cresce o número de pessoas que desejam conhecer as religiões de matriz africana para além dos preconceitos, das lendas e das interpretações superficiais. Durante muito tempo, Exu foi reduzido a estereótipos que pouco dialogam com sua riqueza simbólica. Nas tradições afro-brasileiras, porém, ele ocupa um lugar completamente diferente. Exu representa movimento, comun...